Novos protestos em Istambul

Hoje Istambul acordou mais policiada do que deveria. Faz exatamente 1 ano em que cerca de 2 mil pessoas se juntaram no Parque Gezi (que fica dentro do Taksim) para impedir sua destruição e construção de um shopping. O que levou as pessoas às ruas, em seguida, foi um misto de insatisfação com um governo conservador, islamista e extremamente autoritário e que já levava 10 anos no poder. Aqui, a polícia também atuou como no Brasil, reprimindo com violência, despreparo, matando alguns e ferindo muitos.

Veja fotos do dia.

Para os céticos: houve ganhos, sim. O shopping no Gezi não será mais construído, da mesma forma que evitou-se, no Maracanã, a destruição de uma escola, um estádio de atletismo e um centro cultural. Melhor que isso: faz 1 ano, na Turquia e no Brasil, em que a política faz parte das conversas dentro de casa, nas escolas, na mesa de bar e timelines.

Para os conformados: nem no Brasil nem na Turquia grandes reformas políticas foram aprovadas e grandes escândalos de corrupção continuam pipocando aqui e aí. Pra piorar, na Turquia, Twitter e Youtube foram bloqueados e o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan responde com longos discursos recheados de ficção científica e manias de perseguição.

Eram, então, cerca de 25.000 policiais espalhados por todos os lugares. Taksim foi completamente fechada com grandes batalhões. Do albergue em que estou, ouvia-se o barulho das ruas. Fui andando junto ao grupo que tentava desviar das ruas fechadas e chegar, de alguma maneira, o mais perto da praça, que fica em uma parte alta da cidade. No caminho, as palavras de ordem contra Erdogan e a lembrança de quem morreu e virou símbolo do movimento, em especial um menino que tinha apenas 15 anos. Nas janelas, famílias inteiras cantavam juntos, velhinhas e crianças também. Batiam panelas, aprovando o grupo.

Os batalhões começaram a parecer maiores. Eu mesmo fui encurralado por policiais à paisana querendo revistar minha mochila. Negociações para a passagem do protesto, a tensão aumentando, helicópteros passando, os corações desencompassados batendo mais rápido, muita gente colocando suas máscaras, capacetes e um segundo passa a demorar um minuto. E todos já sabem que depois desse minuto, que é um segundo, as bombas de gás lacrimogênio cortarão o céu. O resto você já sabe.

Se você quer entender mais da situação atual, esta matéria da BBC dá conta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s