Um ano viajando

Não, não quero voltar ainda. Faz exatamente 384 dias em que eu saí do Rio para enfrentar o mundo, sem muitos planos e uma rota desenhada superficialmente. Aqui vão algumas estatísticas:

Tempo: 384 dias, ou 1 ano e 19 dias, ou 55 semanas, ou 9216 horas, ou 552.960 minutos, ou 33.177.600 segundos.

Distância percorrida: aproximadamente 55.000 km (já é mais que uma volta à Terra, que tem a circunferência de 40.075 km!).

Transporte: na maioria das vezes, ônibus (mesmo na Europa), mas peguei ao todo 5 voos curtos e baratos.

Comida: odeio cozinhar. Então costumo comprar coisas fáceis de fazer ou sair pra comer, uma das grandes falhas no meu orçamento. Sempre aceito quando alguém se dispõe a cozinhar. ;)

Acomodação: um pouco de tudo. Casa de amigos ou de pessoas que conheço no caminho, couchsurfing, dormitórios em albergues, aluguel de quartos (Airbnb). Acampar, só quando não tem outro jeito.

Países: nesta viagem, 25 países até agora.

Minha rota inicial já foi totalmente modificada. Fui a países que não ia e deixei de ir a outros por mudar de ideia no meio do caminho – veja o mapa com o meu caminho aqui. E tem dado certo essa “falta de planejamento”. Antes da viagem o medo era grande. Quanta ansiedade e quanto trabalho à terapeuta! Chegando à Europa – apesar de viajar muito, era minha primeira vez em território europeu – gastei um bom tempo pra me acostumar novamente à vida sozinho. Ninguém para dividir conversas, fazer companhia quando estou doente, fazer comida, escolher os próximos caminhos. Mas fui encontrando amigos, novas pessoas e a minha certeza de experiências anteriores se confirmaria rapidamente: viajar sozinho não é viajar só.

Aqui então vai um bate-bola de mim pra mim mesmo, estilo Marília Gabriela, considerando apenas essa viagem – do contrário as respostas seriam bem diferentes.

Que países gostou mais? Etiópia, Turquia, Geórgia e Irã.

Que países gostou menos? Difícil! Mas Djibouti e Bulgária foram os menos interessantes.

Maior choque cultural: Vale do Omo (Etiópia).

Melhores em beleza natural: Depressão de Danakil (Etiópia), Montanhas Simien (Etiópia), Tatev (Armênia), Lagos Plitvice (Croácia), Região de Svaneti (Geórgia), Cavernas de Skocjan (Eslovênia), Goreme (Turquia).

Melhores em vida cultural: Berlim, Londres, Lisboa, Addis Ababa, Sarajevo, Budapeste, São Petersburgo.

Melhores em arte moderna e contemporânea: Bonn, Colônia e Berlim (Alemanha), Luxemburgo (Luxemburgo), Ierevan (Armênia), Madrid e Bilbao (Espanha), São Petersburgo (Rússia).

Melhores em monumentos históricos: Berlim (Alemanha); Sarajevo (Bósnia); Bath (Inglaterra); cavernas com pinturas rupestres (Somalilândia); Lalibela (Etiópia); Istambul e Éfeso (Turquia); Meteora (Grécia); Volgogrado, Kazan e Moscou (Rússia); igrejas e monastérios espalhados pela Armênia e Geórgia; Isfahan e Persépolis (Irã).

Melhores em comida: Etiópia, Portugal e Espanha.

Melhores em hospitalidade: Irã (de longe).

Cidades curiosas/estranhas: Tirana (Albânia), Berbera (Somalilândia), Harar (Etiópia), Abyaneh (Irã), Djibouti (Djibouti), Shushi (Rep. Nagorno-Karabagh), Ushguli (Geórgia).

Momentos mais memoráveis: dormir ao lado de um vulcão ativo, o Ert’Ale (Etiópia); ir ao Festival de Guca (Sérvia); meu aniversário de 30 anos (Irã); viajar com minha mãe (Turquia).

Países mais baratos: Irã, Etiópia, Bulgária, Geórgia.

Países mais caros: Inglaterra, Holanda, Luxemburgo, Djibouti.

O que aprendeu? Isso é pra outro post e não há como resumir, mas posso destacar algo que NÃO aprendi: a cozinhar.

Qual o principal segredo de uma grande viagem pelo mundo? Não planejar tanto. Acho que essa é minha principal dica. Isso não significa “ir para onde der na telha”. É bom sim saber onde você quer ir, em que época do ano quer estar lá e quanto está disposto a gastar. Apesar disso, pra mim, por exemplo, comprar uma dessas passagens de volta ao mundo seria um tiro no pé. Uma viagem dessas tem que ser flexível, porque durante o caminho qualquer viajante vai aprendendo mais sobre outros países e ouvindo muitas histórias. Mudar o trajeto é inevitável.

Claudia Leite ou Ivete Sangalo? Ivete Sangalo.

Se tiverem mais perguntas fiquem à vontade pra perguntar. Em breve tentarei falar sobre os gastos de uma viagem como essa. Como já disse antes, não ganhei na loteria.

5 comentários sobre “Um ano viajando

  1. rafael, obrigado! penso em 2 anos no total. Mais ou menos isso… Mas comecei com a idéia de 1 ano apenas, então nunca se sabe, rs.

  2. Um mix de inveja boa e orgulho! Tive que sair do outro lado da poça… Ir pra Europa, para conhecer uma das pessoas mais amazing! Fico feliz de ter estado no se caminho e você no meu… O melhor guia, aquela empatia imediata, e uma vontade de acompanhar essa aventura. Pena que meu tempo não era tão longo! Desejo ainda muitos países produtores você, muita gente boa na estrada e muita cultura na veia!

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