Gustavo, quanto você tá gastando?

Update: o post a seguir considera valores de dólares da época (ah que nostalgia!). Mesmo assim, vale notar que o dólar aumentou muito para vários países. 

No início desse texto, vou mostrar um número grande e você vai abrir a boca e falar: “meu deus, Gustavo realmente assaltou as velhinhas na porta da igreja e não quer abrir o jogo”. Logo depois, vou publicar o que eu recebi nesse tempo e como “anulei” esses gastos e você pode chegar à conclusão de que “ei, pera, acho que também posso fazer isso aí”. É o que eu espero. Como já disse anteriormente, viajar não é necessariamente caro. Depende dos seus objetivos, regiões pelas quais quer passar e como quer viajar, principalmente no que se refere a (parafraseando Dilma) conforto. A pergunta mais proferida precisa de resposta. E como muitos outros blogues de viagem fazem, “abrirei minha planilha”.

Antes de tudo, é importante deixar claro que esse dinheiro foi um investimento. Enquanto uns preferem comprar o carro do ano, eu prefiro ter experiências pelo mundo durante esse tempo. As duas pós-graduações que fiz anteriormente e que tiveram um preço altíssimo no meu orçamento não me ensinaram nada que chegue perto ao que eu tenha aprendido aqui. Viajar por um longo tempo também é uma abertura para que você repense sua vida e estude determinados assuntos por conta própria – e aí você faz uma espécie de “universidade ambulante”. Mas vamos às contas.

QUANTO GASTOU?

A minha meta inicial era uma média de U$50,00 por dia – cerca de R$45.000 em um ano. Até então tenho conseguido me manter abaixo da marca. Em 12 meses, gastei R$42.273,00. Esse valor inclui absolutamente tudo, inclusive passagens aéreas. É coisa pra burro, eu sei, mas pense no que você gasta parado na sua cidade, sem visitar grandes museus, novas aventuras, trilhas, comidas diferentes, sem conhecer outras pessoas e cidades… talvez o valor do seu gasto anual em casa não seja tão diferente desse.

QUANTO GANHOU NESSE TEMPO PARA SE MANTER?

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário que você tenha todo o dinheiro para a viagem. Caso tenha algum tipo de renda, como um aluguel ou investimento, beleza. Você também pode sair vendendo tudo o que acumulou desnecessariamente e ainda buscar empregos por aí – a distância ou localmente. Então, somando rendas fixas, trabalhos coo freelancer (web/comunicação), prostituição, venda de drogas e a venda do meu carro, somei um total de R$41.000,00.

SALDO

R$42.000,00 – R$41.000,00 = R$1.000,00 [gastos – receita]

Opa! Quem diria! Uma viagem cara dessas e o saldo é só de R$1.000,00 a menos na conta? Sim, minha cara e meu caro, e olha que eu não explorei todas as formas de se ganhar dinheiro numa viagem – provavelmente o farei nesta segunda etapa, o segundo ano. E outros fatores animadores: os próximos países são os mais baratos do roteiro e não precisarei mexer em absolutamente nenhum fundo de previdência que eu tenha – afinal também quero poder viajar velhinho.

E COMO JUNTAR DINHEIRO?

Poderia listar milhares de dicas e detalhar, mas citarei brevemente apenas três itens que me ajudaram bastante e creio serem os mais importantes.

1) Trabalhando e poupando: trabalhei pra burro desde novo, mesmo antes de começar faculdade. Primeiro com atividades pequenas e autônomas, corrigindo textos de manuais de procedimentos para organizações, fazendo transcrição de palestras (ô coisa chata!), revisões e traduções. Depois comecei a trabalhar em empresas privadas e crescer rapidamente nelas, até um ponto em que meu salário era muito mais do que eu necessitava e fiquei rhyca-versão-remix! E daí veio uma bela poupança. Além disso, busquei maneiras para que meu dinheiro não perdesse valor e rendesse em títulos públicos e aplicações em fundos. Não exige muito esforço, vai, basta ler um pouquinho.

2) Consciência sobre o que consome: Entender bem o que a gente consome nem sempre é possível. As cadeias produtivas são longas e complexas. Mas nunca fui capaz de gastar todo o meu salário e sempre segui a regra número 1: nunca entrar em cheque especial. E não foi por pura pão-durice. Eu não precisava gastá-lo. Sinto pouca necessidade de consumir o que não preciso, penso duas vezes inclusive no impacto que posso ocasionar comprando mais um aparelho eletrônico, por exemplo, produzindo mais lixo e talvez financiando práticas com as quais eu não concordo, como trabalhos análogos à escravidão ou produções em massa que não se preocupam com impactos ambientais. Então, sou adepto ao “ter o menos possível e ser o máximo possível”.

3) Economizando na viagem: Sempre abri minha casa para amigos e estrangeiros. Portanto, no dia em que resolvi viajar, não houve falta de oportunidades de acomodação gratuita em diversos lugares. Fazer o famoso couchsurfing, além da economia, é uma forma de fazer amigos, compartilhar experiências, aprender a respeitar diferenças e apreciá-las. Essa é só uma das formas de gastar menos em uma viagem. Faço o máximo para agir como um local: ir ao supermercado em vez do restaurante (nem sempre consigo essa, porque odeio cozinhar), evitar serviços voltados exclusivamente para turistas, usar transporte público, pedir caronas… e pelamordideus, para de comprar souvenir!

C’est ça. E se você quer saber mais sobre o assunto, tem um post de 1900-e-vovó-mocinha que fala sobre o assunto.

3 comentários sobre “Gustavo, quanto você tá gastando?

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