Ele existe!

Vim até Bornéu, aquela ilha que tem no tabuleiro do War, só pra vê-lo. E tive sorte. Não que seja muito complicado encontrar aqui o macaco proboscídeo – mais conhecido como macaco narigudo na minha roda de amigos. Mas o bichinho é tímido, o que torna complicada qualquer tentativa de aproximação no meio da selva.

Foi em uma das primeiras incursões à floresta que encontrei essa figura, no Parque Nacional de Bako, na parte malaia da ilha de Bornéu. Para os cientistas, nasalis larvatus. Para os malaios, bekantan ou o simpático codinome monyet belanda (macaco holandês). Como a Malásia foi ocupada por portugueses, holandeses, britânicos e japoneses, o povo daqui resolveu que o macaco narigudo com suas feições rosadas e barrigas protuberantes pareciam mais com os holandeses. Piadas racistas da época.

Macaco probscídeo dando um rolê

Macaco probscídeo (fêmea) dando um rolê

O encontro foi alucinante. Bornéu era a única chance d’eu ver essa belezura (belezura?). Bom, chega-se a esse parque nacional apenas de barco, cruzando um rio cor-de-chá-preto… rio de floresta. Lá, há locais para dormir em quartos confortáveis ou simples albergues, onde comumente macacos mais atiradinhos entram para roubar seus pertences e destruir latas de lixo – geralmente precedidos por elogios dos viajantes como “que fofos”, apenas segundos antes de terem suas malas destruídas e seus tênis mal-cheirosos levados para o meio da mata.

Há diversas trilhas na região e escolhemos (estava com outros viajantes) uma em que a possibilidade de ver o narigudo fosse maior. Infelizmente depois de 3 horas, chegamos à praia e nada além de alguns insetos e pequenos lagartos. Brincamos de deus com caranguejos eremitas e adentramos a selva, voltando para o acampamento. E no meio do caminho, uma chuva de macacos (sim, os proboscídeos!). De cinco a dez, não saberia dizer. Pulavam, deixando cair pedaços de galhos. Ainda assim, permaneciam distantes, na copa das árvores. Aos poucos, alguns resolveram descer mais próximos. Um deles, reclinou-se sentado em uma das árvores próximas. Parecia confortável, como qualquer ser humano ficaria em uma rede. Ficamos estáticos por talvez uma hora, indo de um lado para o outro, seguindo os movimentos dos homínculos. Alguns filhotes se aventuravam ao redor e voltavam logo a se agarrar no torço da mãe para mudar de árvore.

Caranguejos-eremitas precisam trocar de casinha rapidamente ou morrem queimados ao sol (veja o vídeo).

Caranguejos-eremitas precisam trocar de casinha rapidamente ou morrem queimados ao sol (veja o vídeo).

Estava de alma lavada. Mas a viagem não se limitou a essas curiosas napas gigantes e à noite fizemos uma pequena trilha de uma hora. Infelizmente os lóris e esquilos voadores não quiseram aparecer, mas insetos, aracnídeos, cobras, sapos, porcos selvagens e até pássaros noturnos faziam a festa.

Sábado à noite, tudo pode rolar.

Sábado à noite, tudo pode rolar.

Os próximos dias consistiram em mais trilhas, cachoeiras no meio da floresta – onde se pode mergulhar como viemos ao mundo – afinal crocodilos não ligam muito se você está vestido ou não – centros de reabilitação para orangotangos e uma tentativa frustrada de entrar no primo rico e produtor de óleo, Brunei. O país exige visto para brasileiros e que só pode ser emitido no aeroporto, não pela fronteira terrestre.

Tudo bem, tudo bem. Continuo em Bornéu, agora mais ao norte, em busca de praias idílicas e ilhas com grandes barreiras de corais. Depois eu conto mais.

bako

Chegada de barco ao Parque Nacional de Bako, desde Kuching.

 

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