Joguinho português-malaio-indonésio

Os portugueses foram de uma ambição obscena lá pelos 1500 e 1600, a gente já sabe e já falei sobre isso num longo texto chato aqui. Mas agora, por esses lados (estou na ilha de Java), está caindo a ficha de que o império e as influências foram ainda maiores do que eu esperava. Vê só, as línguas da Malásia e da Indonésia são muito similares. E daí que nos dois países eu tenho encontrado palavras pra lá de familiares. Vai aqui uma listinha, tenta descobrir o que significa. Um ponto pra cada acerto, valeeeendoooooooo!

almari

baldi

bangku

Continuar lendo

Hangloose chinês

Oito

Oito

A China é um planeta a parte. E é claro que os gestos feitos com as mãos tinham que ser completamente diferentes. O que não dá pra imaginar é que até os gestos ligados a números também são. Por exemplo, faça um hangloose. Pois isso que você está vendo é um “seis”.

Agora, a imagem aqui do lado. Parece um “dois”, mas não é. Explicando: o símbolo 八, que lembra a marca do Atari, significa “oito”. Então vamos à aulinha de mandarim de hoje, porque cultura inútil nunca é demais.

Continuar lendo

Tudo o que a gente não sabe sobre os números

“Peraí, os números arábicos não são usados pelos árabes?”, foi meu susto em um aeroporto em Riade, capital da Arábia Saudita. Sabia que muitos países na Ásia, incluindo o sudeste e a região da Índia, não usavam o sistema. Mas pra mim número arábico era número A-RÁ-BI-CO! Santa ignorância. E quanto mais pesquisei, mais buracos nessa história encontrei [vendo rimas ruins para financiar viagem].

5.a.m. no aeroporto de Riade, acordando em uma cadeira do Starbucks.

Pra quem não lembra da primeira aula de matemática, os números arábicos (também chamados de indo-arábicos) são a maneira mais comum de representação de números hoje em dia. Mas essa história está mal contada. Quanta desilusão.

“É melhor, claro, saber de coisas inúteis do que não saber de nada” – Lucius Annaeus Seneca (sec. I)

Continuar lendo

Você nunca viu uma árvore como essa

Uma árvore que fala pode trazer nova luz à ciência moderna.

Você nunca viu uma árvore como essa.

A foto foi tirada em Vardzia, um dos locais mais sagrados da Geórgia. Lá encontram-se mais de 140 cavernas nos paredões que fazem parte de um vale incrível. São casas e igrejas, com afrescos que datam do século XII, usadas por monges cristãos que fugiram de invasões otomanas e persas.

O que mais impressiona aqui, no entanto, é uma estranha árvore, onde as flores nascem diretamente de sua casca. Não é só isso. Raros fenômenos relacionados à planta atraíram neste ano cientistas de 23 países. Continuar lendo

Do alfabeto na Geórgia, corações de galinha e maçãs do amor

Georgiano no computadorEm Batumi, na Geórgia, cidade fronteiriça com o leste da Turquia, a primeira impressão que se tem é que estão pichando um país inteiro. Com um dos alfabetos mais bizarros que já encontrei por aí, o georgiano é hipnotizante pelas suas curvas suaves, uma caligrafia cheia de montanhas arredondadas, vales, rios que correm entrecortados por pontes e corações de galinha (). E maçãs do amor (). Achou fofo?

É?

Continuar lendo

Torre de Babel

Tempo de leitura: 6 minutos. Eu sei que você consegue.

No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Saindo os homens do Oriente, encontra­ram uma pla­nície em Sine­ar e ali se fixaram. Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso ­e não seremos espalhados pela face da terra”. – Gênesis 11

Ajourd’hui, Djibouti, 2014

Você está sentado trabalhando na recepção de um hotel, na cidade de Djibouti. Passa um dos estrangeiros, vira o torso em sua direção, mas continua andando. Você vê a cena em câmera lenta. O rosto se aperta num sorriso falso, os olhos diminuem, as bochechas se inflamam e a boca começa a se abrir. Um sopro imperceptível passa leve e veloz pela garganta, esbarrando em pequenas e finas cordas, chegam a uma cavidade escura, úmida e instável, e, por fim, se debate à presença de um músculo flexível e furioso. Um som vem de lá. A mão estendida no ar, um aceno de Miss Universo e… “Hojeeee!!!”, diz o turista entusiasmado e confiante, que sai rapidamente pela porta do hotel. Você espera por alguns milissegundos uma continuação. “Hoje o quê?”, pensa. O dia continua. O tal turista mistura bonjour com aujourd’hui. Andando, já distante do hotel, se dá conta do erro. Ri e continua o caminho. Continuar lendo

Qual a diferença entre Grã-Bretanha, Reino Unido e Inglaterra?

Para tudo! Sua tese de mestrado e sua reunião com o diretor podem esperar, afinal você não vai querer morrer sem saber disso. Dizem que é a primeira pergunta que fazem no juízo final. Não sabe a resposta, vai pro andar de baixo. E, não tô rogando praga, mas vai que você tem um AVC do nada, um raio na cabeça, beri-beri, ebola, o que for (apesar de que há maneiras mais classudas de morrer).

Vamos lá, qual a diferença entre o charme e o… entre Reino Unido, Grã-Bretanha e Inglaterra?

Continuar lendo

O tempo na Etiópia

– Então, tá marcado. Vamos jantar amanhã. Que horas te encontro?
– Às duas horas.
– Duas, perae. Duas? Ah, almoço então!
– Não, não. Jantar, foi mal, duas horas pra mim, oito horas pra você.

A vida na Etiópia não é fácil. A começar pelos horários loucos que certamente farão você ser a pessoa mais lerda na fila da rodoviária, questionando aos berros por que diabos seu ônibus sai de madrugada se você pediu o busão da manhã.

Para de chilique, meu amigo!

Continuar lendo