A linha invisível entre Etiópia e Djibouti

Leitura: 7 minutos. Senta que lá vem a história.

Ao chegar em Dire Dawa, leste da Etiópia, ouvi a notícia de que o trem que leva ao Djibouti tinha sido reativado. Não funcionava todos os dias da semana, mas era uma opção boa para quem não quer enfrentar os solavancos de um ônibus atravessando o deserto.

Uma jornada que podia levar de 12 a 20 horas dependendo das paradas e procedimentos na fronteira. “Se o trem não tiver nenhum problema, você pode chegar lá às 18h”, me avisava o vendedor do bilhete, radiante. “Sai às 3 horas da manhã”, completou.

A cidade estava sem luz. O hotel não tinha mais água. Tomei um banho de cuia às escuras. Uma ratazana atravessava a luz amarela projetada pelas velas no chão do hotel. Chovia um pouco lá fora. Resolvi não sair para comer e dormi cedo. Às 2h30, levantei-me depressa, deixei as chaves na bancada e fui para a estação.

Não havia ninguém. Continuar lendo